O que Winnicott pode nos ensinar sobre o fenômeno TDAH?
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v29i3p425-435Palavras-chave:
TDAH, infância, ansiedade, Winnicott, desenvolvimento emocionalResumo
Este trabalho pretende discutir como as principais contribuições winnicottianas sobre a normalidade e a ansiedade na infância podem favorecer uma leitura psicanalítica do que se costuma classificar como TDAH. Para tanto, abordamos as possibilidades interpretativas das expressões sintomáticas de hiperatividade e ansiedade, discutindo as classificações diagnósticas e os ideais de normalidade na infância. Em seguida, estudamos o caminho trilhado por Winnicott no desenvolvimento das principais concepções sobre o mal-estar das crianças, baseando-nos em sua concepção de saúde e doença e na sua hipótese de tolerância ao sintoma. Por fim, promovemos um diálogo entre as teorizações winnicottianas e as interpretações contemporâneas do fenômeno TDAH, com vistas a favorecer modos de intervenção na clínica psicanalítica, atentando para as vicissitudes deste tempo sem, contudo, aderir aos discursos medicalizantes que assolam a infância hoje.
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