O cineasta e o historiador: imaginação histórica e visões da nação em “Paixão dos Fortes” (1946)
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2318-8855.v13i1p142-168Palavras-chave:
imaginação histórica, cinema faroeste, discurso nacionalResumo
O presente artigo, a partir de uma avaliação do faroeste como gênero cinematográfico atrelado ao discurso nacional dos Estados Unidos, tem como objetivo examinar a forma como o filme Paixão dos Fortes (1946) de John Ford lida com esses temas e imagina uma outra versão acerca dos fatos históricos. Refletimos sobre como o cineasta, a partir de uma extrapolação da história pela ficção e da memória social, sugere o preenchimento de algumas lacunas e a substituição de certos elementos reais, visando a construção de uma obra de arte que reassegure os mitos nacionais e ofereça soluções para o presente de seus idealizadores.
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Filmografia
Paixão dos Fortes [Título original: My Darling Clementine]. Direção: John Ford. Estados Unidos: 20th Century Fox, 1946. (97 min.).
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